Introdução

A Raça Saloia, oficialmente defenida em 1985, de aptidão predominantemente leiteria, constitui um agrupamento étnico nacional com essa aptidã, que há muito lhe é reconhecida, conforme prova a existênacia na sua área de dispersão dos queijos tradicionais de Azeitão, Saloio e Alverca. A raça, quer pelo pequeno número de animais que a constituem, quer por se encontrar, desde sempre, confinada a uma área geográfica restrita, tem sido pouco divulgada.

                     Origem, História e Evolução

Os autores que a têm investigado são de parecer que derivou da benefeciação do "vagabundo careo das terraáridas e charnequentas a norte e a poente de Lisboa por sementais andaluzes" de entre os quais há certamente que destacar os descendentes dos merinos oferecidos pelo monarca espanhol ao Rei de Portugal, D. José , que foram alojados na Quinta do Marquês em Oeiras. Terá sido a partir da população assim obtida que ovelheiros dos arredores de Lisboa, recorrendo à ginástica funcional, lhe desenvolveram a capacidade lactígena por ser esta, já então, a mais remuneradora.

Em 1864, Bernardo Lima incluiu-a no Grupo Bordaleiro.

                                    Padrão da Raça

Antes de 1985, por não haver padrão da raça defenido, havia vários entendimentos acerca do tipo de animais que deveriam ser considerados modelos.

Sendo reconhecida não só a necessidade, como também urgência de preservar populações autóctones no âmbito da Reserva Genética Nacional, a então Direcção Geral de Pecuária, consciente de que a população ovina dita Saloia, de origem nacional, com notável aptidão leiteira, constituida por razoavel número de indivíduos, geradora portanto de consideravel riquez, reunia todas as condições para ser preservada e melhorada, defeniu o Padrão Ofcial da Raça Ovina Saloia que, a seguir, se reproduz:

 Aspecto Geral

Cabeça

  • Mediana, de forma piramidal e deslanada
  • Fronte estreita, plana ou ligeiramente convexa
  • Olhos grandes
  • Face comprida, estreita e de forma triangular
  • Chanfro recto ou ligeiramente convexo
  • Orelhas médias, horizontais ou ligeiramente descaídas
  • Machos com cornos fortes e espiralados e fêmeas sem ou com cornos finos e em forma de foice, em qualquer dos casos de secção triangular, mais vincada no macho
Tronco
  •  Pescoço de comprimento médio com barbela
  • Garrote pouco saliente
  • Coselas pouco arqueadas
  • Garupa ligeiramente descaída
  • Ventre volumoso
  • Úbere bem desenvolvido, de forma globosa ou sem fundo de saco, pele fina e elástica, sulco mediano evidente e tetos de tamanho regular
Menbros
  • Vigorosos, bem proporcionados, de tamanho médio, deslanados desde pouco acima dos joelhos e dos curvilhões
Pele
  • Fina elástica e untosa, pigmentada nas partes deslanadas (orelhas, chanfro, face e extremidade dos menbros), variando a pigmentação desde o castanho escuro ao castanho claro por vezes pardo, apresentando ou não malhas.
Velo
  • De lã branca, por vezes com pigmentação amarelada com madeixas quadradas ou cilíndricas, muito sugo e sem pêlos cábreos
Obs.
  • Os animais a inscrever na raça deverão estar isentos dos seguintes defeitos
    • Presença de malhas pretas nas partes deslanadas
    • Falta de pigmentação nas partes deslanadas
    • Barriga completamente deslanada
    • Exitência de lã na face e extremidade dos menbros
    • Fibras de lã branca misturadas com pêlos castanhos

                                    Área Geográfica

O solar da raça situa-se na região envolvente de Lisboa conhecida por Saloia, donde tirou o nome. Actualmente ocupa também as que com ela confinam ou dela estão próximas, nomeadamente os concelhos de Sintra, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Torres Vedras e Lourinhã. Da zona de origem passou para a península de Setubal, o que é explicável pela necessidade sentida pelos criadores da zona da Serra da Arrábida de disporem do leite necessário ao fabrico do queijo de Azeitão, cuja origem conhecida se situa entre 1820 - 1830. Nos últimos anos vários efectivos foram deslocados da área da referida península para a região de Portalegre, Nisa e Monforte, onde se adaptaram sem problemas e continuaram a exibir a sua boa produção de leite.

                                   Census Actuais

Não havendo conhecimento étnico exaustivo nas zonas de ocupação, não se conhece a sua grandeza. Existem registadas em Livro Genealógico cerca de  4422 fêmeas e 164 machos pertencentes a 13 explorações.

Ligações Externas